Nômades digitais

O estilo de vida que ganhou força na pandemia

A pandemia da covid-19 alterou, sem dúvidas, a forma como trabalhamos. O home-office se tornou rotina para muitas pessoas e o nomadismo digital – estilo de vida em que os indivíduos viajam pelo mundo sem abdicar do seu trabalho – vem ganhando mais adeptos, a medida que a viagens se tornam possíveis.

A LS:N Global fez um artigo sobre como a indústria da hospitalidade está se reinventando para atender essa demanda crescente de trabalhadores nômades. Confira abaixo:

Bleisure 2.0

Antes da pandemia, os hotéis em todo o mundo eram centros de trabalho cooperativo, atraindo moradores locais e nômades digitais. Marcas como Ace Hotel Group, The Hoxton e Sheraton já desenvolveram espaços específicos para trabalhar e socializar.

The Hoxton Chicago Fulton Market

A Covid-19 acelerou essa tendência, à medida que mais pessoas trabalham remotamente, elas optam estão mais propensas em combinar viagens com trabalho. Segundo a Colliers International, o conceito de hospitalidade híbrida para viajantes bleisure podem aumentar o faturamento de um hotel em 20%, que está sendo reforçado pela crescente confiança nas viagens. A Destination Analysts relata que 54% dos americanos disseram que fariam uma viagem regional em um raio de 200 milhas (cerca de 320 quilômetros) em 2020, enquanto 33% estão planejando uma staycation (estadia em sua própria cidade).

Dessa forma, a demografia do staycation será crucial para as marcas de hotel. Muitas propriedades já estão explorando programas chamados de “work-from-hotel”, que combinam diárias com incentivos de lazer como acesso à piscina e bebidas gratuitas. O hotel London West Hollywood, por outro lado, transformou suítes luxuosas em escritórios que podem ser reservados por mês, uma tendência que há meses já chegou no Brasil em diversas redes pelo serviço de room office.

Os modelos de assinatura corporativa também estão chegando ao mercado. CitizenM, por exemplo, oferece às empresas incentivos para trabalho e estadia, incluindo salas de reuniões, quartos e bebidas de cortesia. Enquanto isso, a United Airlines criou os pacotes Team Together, que dão direito a voos, aluguel de espaço de trabalho de curto prazo e locais colaborativos para funcionários se reunirem.

CitizenM London Tower

Os hotéis são os lugares perfeitos para trabalhadores nômades, que precisam de um espaço tranquilo, bem como equipes remotas pelo ambiente colaborativo, semelhante ao de um escritório, que os empreendimentos oferecem

Yannis Moati, CEO da HotelsByDay

Trabalho desacelerado

Indicando uma tentativa de retorno às viagens corporativas, um estudo da Business Traveller e da Globetrender revelou que 39% dos viajantes pretendiam começar a viajar antes do final de 2020 e 37% voltarão a viajar em 2021.

As reuniões presenciais continuam sendo cruciais para as equipes de vendas. Uma opção de viagens de negócios mais sustentáveis (considerando restrições como a necessidade de uma quarentena após uma viagem) é a mudança da duração das viagens corporativas, passando de dias para períodos maiores de várias semanas. As acomodações em apartamentos “self-service” estão em alta, e existem até mesmo parcerias do Airbnb com as start-ups AltoVita, Edyn e Sonder, com descontos para estadias mais longas.

Os resorts também começaram a oferecer estadia prolongada para funcionários de empresas e alunos com ensino à distância. Eden Roc Cap Cana e Playa Resorts oferecem escritórios e espaços de estudo como parte de um pacote, enquanto a Montage Hotels & Resorts criou uma academia de aprendizagem remota. Aqui no Brasil, o resort office também ganhou popularidade

Já os parques nacionais do Japão também querem atrair este público melhorando suas infraestruturas com wi-fi, para os visitantes que desejam ficar em acampamentos e alojamentos. Dessa maneira, une-se um ambiente temporário de trabalho ao relaxamento que a natureza proporciona.

Novos nômades

No futuro, os trabalhadores remotos poderão voltar a viajar pelo mundo ao invés de permanecer em um local fixo. Barbados, Bermudas e Estônia já oferecem estadias sem visto ou vistos específicos para os nômades digitais. Com isso, seria possível beneficiar também as economias locais devastadas pela pandemia.

“A Estônia tem uma excelente infraestrutura digital, algo que trabalhadores e empresários independentes precisam”

Katrin Vaga, chefe de Relações Públicas Internacionais do programa e-Residency da Estônia

No entanto, o novo nomadismo não se limita às viagens internacionais. De acordo com um estudo do The New York Times e da Morning Consult, um em cada três americanos se mudaria para uma nova cidade ou estado se o trabalho remoto continuasse indefinidamente. E uma pesquisa do Airbnb ressalta que uma em cada cinco pessoas nos Estados Unidos já se mudou durante a pandemia.

Embora essa nova força remota esteja mudando a cultura de trabalho, algumas pessoas podem não ter senso de comunidade. A Kibbo é uma start-up que cria uma experiência de vida em veículos van para nômades digitais nos Estados Unidos, e vai além de ser apenas um lugar para dormir. Cada local tem comodidades compartilhadas, como uma cozinha comum e espaço de co-working.

De acordo com o CEO Colin O’Donnell, os trabalhadores devem considerar o estilo de vida Kibbo “se quiserem experimentar a liberdade da estrada aberta e construir conexões profundas com uma comunidade que pensa da mesma forma, sem abrir mão do conforto de casa”.


A matéria original Wandering Workers foi publicada na LS:N Global


Fotos: Divulgação

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