
Botanique | A tradução do movimento do pós-luxo
A partir do dia 9 de fevereiro, o hotel passa a integrar o portfólio da rede Six Senses
Inaugurado há oito anos, o Botanique Hotel & Spa é a materialização do movimento de pós-luxo desenvolvido pela empresária Fernanda Semler. No empreendimento, ela conseguiu colocar em prática esse conceito e cada detalhe foi cuidadosamente pensado para enaltecer a qualidade e originalidade dos produtos nacionais, além da sustentabilidade.
E o reconhecimento desse projeto não poderia ter sido melhor. O Botanique, agora, faz parte do portfólio da exclusiva rede de hotéis sinônimo de luxo sustentável – a Six Senses Hotels, Resorts & Spas. A partir do dia 9 de fevereiro, a rede inicia oficialmente a operação do Six Senses Botanique.
Em novembro passado, entrevistei a empresária para a revista hotelnews e ela me contou que sempre admirou a marca e se identificava com a atenção dada à sustentabilidade e integração com a identidade local. Para Fernanda, não existia outra opção a não ser a Six Senses quando pensou em crescer e se juntar a uma operadora hoteleira.

Em dezembro de 2019, Neil Jacobs, o CEO do Six Senses, foi visitar a propriedade. “Quando a gente se conheceu, foi paixão à primeira vista e no início de março de 2020 já estávamos com o contrato praticamente feito. A ideia era lançar o projeto em abril, mas veio a pandemia de Covid-19. Tive que fechar o Botanique por dois meses e até me questionei se o acordo continuaria, mas retomamos o negócio e finalmente deu tudo certo. Estou muito feliz com o Neil e toda a equipe da Six Senses, que é muito parecida com o nosso estilo e tem um olhar bonito para a hospitalidade”, afirma.
Movimento do pós-luxo
O movimento do pós-luxo foi idealizado por Fernanda Semler quando por volta de 2003 notou que o luxo estava mudando para um consumo mais inteligente, que não tinha mais a ver com ostentação, que ultrapassa grifes, exageros e trabalho de mão de obra barata. Dessa forma, resolveu estudar e desenvolveu esse conceito de pós-luxo e criou um manifesto com cinco pilares: qualidade da matéria-prima, temporalidade, originalidade, valor justo/mark-up coerente e propósito maior/identidade local.
“A vontade de abrir o Botanique surgiu da necessidade de mostrar esse conceito de forma concreta porque a hospitalidade, como um todo, é um veículo onde o pós-luxo está incluído em vários segmentos. Inclui desde a arte e música à gastronomia, serviços, amenidades e spa”, conta.
Brasilidade
O Botanique exalta com maestria as riquezas brasileiras – dos materiais utilizados na sua construção, passando pelo mobiliário com peças assinadas por designers nacionais e pela selo aroma elaborado especialmente para o hotel.
No projeto arquitetônico, as pedras de saibro utilizadas nas paredes foram retiradas inteiras de rios próximos e empilhadas. A ardósia chocolate, que demora 13 meses para chegar nessa cor, é proveniente de Minas Gerais. A maior conhecedora do design nacional e ex-diretora do Museu da Casa Brasileira, Adelia Borges, foi responsável pela curadoria dos designers brasileiros. Fernanda pediu uma lista com 100 nomes que não fossem óbvios e, em cima das recomendações, escolheu as peças para mostrar que existia mais gente talentosa. “Prova disso são as serigrafias do nosso bar são da Heloisa Crocco, que se descobriu artista com 64 anos”, comenta.
O aroma Botanique foi desenvolvido considerando as matérias-primas encontradas na região. A fragrância com notas cítricas está presente na linha de produtos do hotel – dos amenites a água de linho para lençóis e toalhas. Até a seleção de filmes e da música ambiente contou com a curadoria de especialistas, que priorizaram uma seleção autêntica e não popular.
Cada detalhe foi cuidadosamente pensado para valorizar o que o Brasil tem de melhor!
Botanique Hotel
O Botanique está situado no Triângulo das Serras, numa região conhecida como Vale dos Mellos, entre Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. Em meio a Serra da Mantiqueira, o empreendimento é um refúgio ideal para quem procura silêncio, excelente gastronomia e conexão com a natureza.
Uma estrada sinuosa e muito arborizada leva ao Botanique. Ao chegar, deixamos o carro na “Casa de Vidro” – que abriga uma ampla sala de estar e um cinema privativo, com apenas uma chaise para casal, e com direito a pipoca e sorvete.

Sala de estar na Casa de Vidro 
Cinema na Casa de Vidro
Um veículo elétrico faz o percurso até o prédio central do hotel e fomos surpreendidos por uma imensa horta em caixas – é dali que saem as verduras, legumes e hortaliças que vão abastecer a cozinha.

Vista para o vale com a imensa horta em caixas 
Detalhe da horta
O edifício principal, no alto do terreno, chama a atenção. Na sua construção foi utilizado muitas pedras e vidros – que garante maior aproveitamento da luz natural, além de permitir que a natureza faça parte dos ambientes, como no hall, sala de estar e biblioteca.

Edifício principal com a horta a frente

Hall 
Sala de estar 
Biblioteca 
Lago na área externa
A propriedade – que ocupa uma área de 1,2 milhões de m² – conta com apenas 17 acomodações, divididas em seis espaçosas suítes que ficam no corpo principal, e mais 11 vilas exclusivas e enormes (de 100 a 300m2) protegidas pela vegetação, garantindo assim total privacidade aos hóspedes.
Ficamos hospedados na Villa Presidencial Supreme de 300m2, chamada Keike – todas as acomodações são batizadas com termos botânicos que dizem respeito aos jardins do hotel. Uma verdadeira casa de campo e muito aconchegante que dispõe de um quarto enorme com lareira integrado ao banheiro, varanda, sala de estar e jantar e ainda um piano de calda. Na área externa, um gramado e uma jaccuzi. Não dava nem vontade de sair de lá.
A brasilidade também pautou a gastronomia do hotel com a valorização dos produtores locais. Um time de especialistas fez a curadoria dos itens que compõem os menus de água, cerveja e cachaça, além da seleta carta de vinhos – o hotel tem orgulho apresentar a menor adega do país.
O restaurante Mina, sob o comando do jovem chef Gabriel Broide, tem cardápio que traz o conceito “do campo para a mesa” (farm to table) em pratos da cozinha brasileira repaginados e muito saborosos. O visual das montanhas através das paredes de vidro são um deleite durante as refeições.
O Spa d’ Água têm a água como elemento principal em várias terapias e ambientes, como a sauna chuva mata atlântica, flutuação em banheira com sal e piscina aquecida isotônica à base de ar injetado. Já o menu de tratamentos corporais foi inspirado em técnica indígenas e afro-brasileiras. O hotel ainda conta com uma piscina externa, quadra de tênis e academia, e ainda oferece passeios a cavalo, aulas de yoga, trilhas na mata.
Uma das grandes inovações do Botanique é a nova forma de receber – uma equipe polivalente e sem departamentos que são agrupadas em clusters. “Eu criei os clusters – grupos que têm um âncora, que faz de tudo, e abaixo dele mais cinco pessoas também executam as tarefas. Cada equipe, de seis membros, cuida de até sete acomodações. Essa característica multifuncional faz parte dos pilares do pós-luxo”, afirma Fernanda.
Assinatura Six Senses
Em toda conversão hoteleira (quando um hotel independente ou de uma rede troca de operador), mudanças são necessárias para a propriedade se adequar aos padrões na nova marca. No Botanique não foi diferente, o hotel está finalizando o processo de rebranding, ajustando operação, produtos, programas da marca e comunicação para trazer a essência da rede Six Senses – pioneira na hotelaria em práticas sustentáveis.
As implementações realizadas já estarão disponíveis a partir do dia 9 de fevereiro, quando a propriedade se torna oficialmente o Six Senses Botanique.
O restaurante Mina estreia novo menu de almoço e jantar, o novo lobby bar traz uma variedade de drinks, jantar em sete tempos na adega e picnic nos jardins. Os conhecidos programas da rede também estarão disponíveis, como o Alchemy Bar – workshop para aprender a fazer seus próprios cosméticos utilizando ingredientes frescos e orgânicos da horta do hotel – e o Six Senses Integrated Wellness – que ajuda a florescer o estado de harmonia, por meio de especialistas, médicos e profissionais, aliados à tecnologia e terapias de alto impacto.
A Six Senses está comprometida com a redução do plástico descartável, desde a década de 1990, com a adoção de água potável própria engarrafada em vidro e amenities em embalagens grandes de cerâmica. Recentemente, eliminou os canudos de plástico e recipientes descartáveis de alimentos e bebidas em todos os seus hotéis. Esse movimento Plastic Free já está em andamento no Botanique.
As mudanças não param por aí, o Six Senses Botanique deverá ganhar mais 14 villas em estilo eco-friendly, além de 37 residências da marca, igualmente construídas com uma abordagem ecológica e modular, disponíveis para compra, já com a primeira fase deste projeto em andamento. Os proprietários terão acesso a todas as instalações, comodidades e serviços do hotel, e ainda, a oportunidade de colocar suas casas no programa de aluguel administrado pela rede. O espaço do spa também será ampliado!
Seja bem-vindo Six Senses Botanique!
Fotos: Divulgação e Alessandra Leite
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