Como escolher um hotel em tempos de pandemia

A hotelaria está retomando as atividades, mas devemos ficar atentos a alguns detalhes

Ainda estamos em plena pandemia do covid-19 com números de infectados e de mortes ainda altos. Entretanto, na maioria das regiões do Brasil, o setor de turismo já começou a se movimentar e a retomar as atividades, ainda que lentamente.

Tempos difíceis requer adaptação, empatia e, acima de tudo, muita responsabilidade para dar os próximos passos. Até que a pandemia esteja controlada ou tenhamos uma vacina, teremos que lidar com esse cenário de instabilidade. Distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel já fazem parte da nossa rotina em que as nossas atitudes são mais do que essenciais para uma boa convivência.

Desde do início de junho, muitos hotéis pelo Brasil começaram a anunciar a reabertura e seus novos protocolos. Desde então, a cada semana essa lista vem aumentando e, junto com ela, o desejo de viajar. Mas será que já é seguro sair por aí?

De acordo com as pesquisas e com tendências apontadas por especialistas, o turismo doméstico vai ganhar força. Muitos países ainda fechados para brasileiros, dólar alto e malha aérea reduzida são alguns dos fatores que contribuem “positivamente” para que os brasileiros viagem pelo país nos próximos meses.

Em um primeiro momento, as viagens para destinos próximos e que possam ser feitas de carro serão as mais recomendáveis, assim como hotéis que transmitam segurança sairão na frente e terão preferência na escolha dos ‘viajantes responsáveis”.

Nos últimos meses, conversei com muitos profissionais do setor, realizei (e também assisti) LIVES e webinars e ficou claro que os “protocolos de segurança e higiene” adotados pela hotelaria serão essenciais nesse momento de retomada. Mas como escolher um hotel seguro para viajar em tempos de pandemia?

Os protocolos de biossegurança devem estar de acordo com as orientações das autoridades médicas e sanitárias. Muitas redes hoteleiras e hotéis estão desenvolvendo seus próprios procedimentos, mas, basicamente, todos contemplam o distanciamento social, uso de proteção individual por colaboradores e hóspedes, medição de temperatura, álcool 70% em gel disponível em vários lugares do empreendimento, higienização frequente dos ambientes de grande circulação e de superfícies altamente tocadas (como botões de elevador, corrimões, maçanetas,….), mudança no serviço de A&B (como buffet e room service) e de arrumação dos quartos. Vale ressaltar também que todos os hotéis estão operando com a capacidade reduzida (geralmente de 50%) de acordo com o decreto de cada localidade.

Reuni algumas dicas para ajudar na escolha de um hotel seguro em tempos de pandemia. São detalhes que, muitas vezes, podem passar despercebidos, mas que podem indicar se o empreendimento está seguindo os novos protocolos.

A assistência de um consultor de viagem também pode ser essencial, pois eles podem oferecer opções confiáveis de hospedagem já que estão acompanhando essas mudanças e adaptações da hotelaria. Vamos lá….

  • Durante a pesquisa do hotel e reserva: A comunicação sobre os “novos protocolos” do hotel deve ser clara e transparente. Começando pelo próprio site do empreendimento que deve ter na home um espaço destinado ao tema, onde estarão os novos protocolos, as regras de cancelamento, etc. Essas informações “precisam sim” estar destacadas e acessíveis. Veja abaixo alguns hotéis que estão fazendo isso muito bem.

No site do Casa Hotéis na home já tem o espaço COVID-19, ao clicar entrará na página com todas as informações sobre os novos protocolos, como frequência de limpeza e mudanças no A&B.

Já no site da Intercity Hotéis abre um pop-up que direciona para uma página com todas as novas regras de hospedagem.

Na home da Ovolo Hotels – uma coleção de hotéis boutique na Australia e Hong Kong – tem no topo um espaço Travel Alert: Covid-19 Update, em que você é direcionada para a página “Obsessive Commitment to Deep Cleaning” em que, de uma forma divertida, eles expõem as novas regras.

Caso os novos protocolos não estejam no site do hotel, eles devem ser enviados por e-mail assim que o cliente solicitar alguma informação ou fizer a reserva. O hotel não deve esperar o cliente pedir, ele tem que ser proativo e comunicar de antemão.

Leia com atenção as novas regras que visam a proteção tanto dos hóspedes quanto dos colaboradores. Muitos desses novos protocolos vão interferir naquele serviço que o hóspede está acostumado, como arrumação do quarto todos os dias ou a entrega das malas no quarto. Mas são medidas necessárias (e temporárias) para garantir segurança de todos. Caso não esteja de acordo com alguma delas, é melhor nem pensar em viajar tão cedo.

  • Pré check-in – para diminuir o contato físico durante o check-in, em que a grande maioria das vezes demora e é burocrático, muitos hotéis estão optando pelo check-in antecipado. O hóspede pode realizar online, pelo site ou aplicativo, ou até mesmo por um formulário enviado por e-mail 24h antes do check-in.
Check-in online
  • Chegada – Medição de temperatura na entrada, colaboradores utilizando proteção individual (máscara e face shields), higienização das chaves magnéticas antes de entregar ao hóspede, são algumas das medidas básicas que os hotéis estão realizando. Alguns empreendimentos também estão entregando para os hóspedes um kit de proteção individual máscara reutilizável, álcool em gel e até luvas.

A maioria dos hotéis que antes ofereciam serviço de manobrista, agora, solicitam que o próprio hóspede estacione o seu carro.

Vale ressaltar que há empreendimentos que continuaram com o check-in tradicional em que os hóspedes têm que preencher a ficha de hospedagem e, dessa forma, estão oferecendo canetas higienizadas ou embaladas em plástico, que a pessoa pode ficar com ela.

  • Durante a estadia: observar se aqueles protocolos que foram informados estão realmente sendo aplicados pelo hotel e seguido pelos clientes.

Verificar se as áreas comuns e superfícies críticas estão sendo higienizadas com frequências (isso é um excelente sinal), se colaboradores e hóspedes estão usando máscaras, se as mesas do restaurante e bar são limpas antes do hóspede sentar e estão com uma distanciamento recomendável.

E, se você ver algo de errado durante a sua estadia, não hesite em expor o fato para a gerencia do hotel. Nesse momento, o feedback do hóspede é mais do que necessário. A responsabilidade de uma retomada de sucesso é tanto do hotel quanto do comportamentos dos hóspedes.

Mudanças importantes

As principais mudanças na estrutura e operação dos hotéis durante a pandemia que os hóspedes devem estar cientes são:

  • Espaços comuns foram repensados para evitar o contato entre os hóspedes.

No lobby, os móveis foram reorganizados para que fiquem afastados e facilite o distanciamento social.

As academias são utilizadas com hora marcada e os spa podem estar fechados ou optaram por com uma agenda bem reduzida para dar tempo de higienizar a sala de tratamento, e as terapeutas devem utilizar os EPIs, inclusive luvas.

O Kids Club com áreas internas podem estar fechados. As atividades estão sendo realizadas em espaços abertos e, muitos hotéis, exigem que os pais acompanhem os filhos.

Na piscina, as espreguiçadeiras devem estar espaçadas (1,5m de distância entre elas ) para evitar aglomeração. Os hotéis não obrigam o o uso de máscaras nessa área. Também recomendam que os hóspedes mantenham uma distância segura dentro da piscina.

  • Alimentação: Alguns hotéis substituíram o tradicional buffet pelo “buffet assistido” em que o colaborador serve o hóspede (e ainda pode ter uma proteção de acrílico para proteger); outros preferiram trocar pelo serviço à la carte, que seria o mais recomendável.
Restaurante do hotel Le Canton

Mas há também hotéis que preferiram distribuir luvas descartáveis de plástico para os hóspedes se servirem. Mas esse formato não seria o mais indicado, tendo em vista também o uso indiscriminado de plástico.

Já o room-service, o ideal (pela segurança e não pela sustentabilidade) é esteja em embalagens descartáveis (de preferência de papel) ou que a comida esteja coberta (na maioria dos hotéis sempre foi assim). O funcionário não deve entrar no quarto para fazer a entrega.

Café da manhã do room service do NH Hotels
  • Apartamentos – Todos aqueles papéis, que costumávamos encontrar, como cardápio de room service, informações gerais do hotel, revistas, etc, estão banidos dos quartos. Agora, a recomendação é que estas informações estejam disponíveis no app do hotel (caso ele tenha), por meio de QR Code ou até mesmo podem ser enviadas por whatsaap ao hóspede.

Quando falamos da arrumação dos quartos, muitos hotéis não estão oferecendo o serviço durante a hospedagem, ou o disponibilizam a cada 3 ou 4 dias de acordo com a quantidade de dias da estadia. Mas há alguns que preferiram manter a arrumação diária se o hóspede solicitar, mas claro, com o colaborador utilizando todas as EPIs necessárias.

Limpeza do quarto no The Royal Palm Plaza Resort

Em relação ao frigobar, a recomendação é que os hotéis deixem o frigobar vazio e entreguem um kit com alguns produtos (de acordo com o gosto do hóspede) no momento do check-in ou disponibilizem apenas água para facilitar a higienização do equipamento no momento do check-out. Há hotéis que preferiram deixar todos os itens disponíveis e fazer a higienização de tudo (produtos e frigobar) em cada troca de cliente.

Higienizacão

Os protocolos de higienização e limpeza dos hotéis foram intensificados de acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde. Os empreendimentos passaram a adotar processos mais rígidos e eficientes na limpeza das áreas comuns e dos apartamentos.

Os produtos de higienização também foram revistos e desinfetantes hospitalares, como o quaternário de amônio e peróxido de hidrogênio, agora fazem parte da realidade dos hotéis. O grande desafio dos hotéis, no entanto, é o treinamento de sua equipe de governança para a utilização de novos equipamentos e produtos que foram implementados no novo protocolo

Infelizmente, não é possível que um hóspede consiga saber se o apartamento foi higienizado corretamente. Por isso, é vital que você opte por um hotel ou marca hoteleira que passe segurança e que você confie.

O movimento Hospitalidade Segura coordenado pela Brazilian Luxury Travel Asssociation (BLTA) e que reuniu profisisionais e entidades do setor hoteleiro, teve como objetivo criar protocolos que abordassem questões como o controle sanitário, a sanitização de ambientes, o treinamento e a qualificação de mão de obra e aquisição de EPIs e materiais. Esses protocolos foram validados pela Anvisa e compõe o Selo Turismo Responsável, concebido pelo Ministério do Turismo.

Selo Turismo Responsável

O Selo Turismo Responsável foi criado pelo Ministério do Turismo para auxiliar a retomada das atividades no país. Mas um hotel que tenha o Selo Turismo Responsável é realmente confiável? Definitivamente, não! Para solicitar o selo, o empreendimento hoteleiro (cadastrado no Cadastur) deve acessar o site da iniciativa, ler as orientações previstas no protocolo e aderir a autodeclaração afirmando que o empreendimento atende aos pré-requisitos. Assim, ele tem acesso ao material do selo para usar no site e em local visível na propriedade.

Isso não significa que o hotel esteja seguindo todos os protocolos já que o empreendimento não é inspecionado por algum especialista que avalie se os procedimentos estão sendo realizados corretamente.

Entretanto, o hóspede pode consultar as novas medidas e ainda fazer uma denúncia em caso de descumprimento, por meio de um QR Code presente no selo que o hotel disponibiliza em algum local.

Ou seja, o fato do hotel apresentar o selo não significa que ele esteja seguindo todos os novos protocolos. Da mesma forma, há propriedades que não têm o selo, mas que estão realizando os novos procedimentos corretamente.

LEIA TAMBÉM: As iniciativas de biosegurança adotadas pelas marcas hoteleiras

Perfil

por Alessandra Leite

Editora do hotelnewstraveller.com.br

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